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quarta-feira, dezembro 09, 2009

Está a ser preparada nova rede de percursos pedestres na Serra da Estrela, através da articulação entre o PNSE (ICNB) e 18 entidades regionais


Uma nova rede de percursos pedestres, adaptada às exigências de hoje em dia, está a ser preparada no parque natural da maior serra de Portugal continental. Em 2010, Ano Internacional da Biodiversidade, deverá ser apresentada a candidatura para a criação desta nova rede, planeada através da articulação entre o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) e 18 outras entidades, incluindo a administração local, operadores turísticos e entidades privadas do sector do alojamento.

«Foi preciso um grande esforço de diálogo e de articulação», confessa Armando Carvalho, director regional do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) para o Centro e Alto Alentejo. O responsável pela gestão do PNSE salienta, no entanto, a iniciativa pioneira do parque, que conseguiu um compromisso a longo prazo de todas as entidades para a gestão da futura rede de percursos. «Existirá uma divulgação uniforme da rede por parte de todas as entidades envolvidas e o contributo de cada uma delas será prolongado no tempo», explicou o director ao AmbienteOnline, em vésperas do Dia Internacional da Montanha, que se comemora a 11 de Dezembro.



Requalificação da zona da Torre é urgente

O cume mais alto de Portugal continental, a 1993 metros de altitude, é um dos pontos mais importantes de turismo de montanha do País. No ano passado, os postos de turismo abrangidos pela Região de Turismo da Serra da Estrela registaram 127 772 visitantes, o que representou um acréscimo de 20 mil visitantes em relação a 2007.
Apenas superada em altura pela Serra do Pico, nos Açores, que tem 2351 metros de altitude, a Serra da Estrela mantém-se como ex-libris natural do país, pelas características geológicas e de biodiversidade que apresenta. Das 77 serras existentes em Portugal, a mais pequena é a da Boa Viagem, junto à Figueira da Foz, com 261 metros de altitude.
Enquanto as unidades hoteleiras da região da Serra da Estrela esperam por uma boa afluência na época natalícia, Armando Carvalho relembra que apenas uma pequena parte dos visitantes se interessa pelo turismo de natureza. Os cinco pontos do PNSE para acolhimento de turistas interessados em conhecer o património natural da Serra da Estrela receberam, até ao fim do terceiro trimestre de 2009, cerca de 12 500 visitas.
No cimo da serra, uma torre de 7 metros perfaz a altitude de 2000 metros da montanha. Este é o destino natural dos milhares de turistas que rumam todos os anos à Serra da Estrela, atraídos principalmente pela promessa de neve. Chegados ao topo, a atracção dá, muitas vezes, lugar à desilusão. Acessos congestionados, trânsito caótico e um centro comercial frequentado por multidões à procura dos produtos típicos da região é a primeira impressão de quem atinge o ponto mais alto de Portugal continental, uma visão muito aquém dos potenciais desta área protegida.
«É necessária uma requalificação da zona da Torre», reconhece Armando Carvalho, requalificação essa que será feita ao nível dos próprios espaços, mas também dos acessos, tendo em atenção algumas questões relacionadas com o comércio de produtos regionais. «Precisamos de adaptar as infra-estruturas que existem», conclui.




Abandono da pastorícia ameaça ecossistema

Mas este não é o único problema com que se depara o local. Um dos perigos em termos de conservação da natureza e biodiversidade com que se depara a Serra da Estrela é a perda dos homens da terra, que durante centenas de anos foram companheiros habituais desta formação rochosa. Os pastores na região são cada vez menos.
«O declínio das actividades tradicionais leva à perda de certos nichos de biodiversidade e, por outro lado, ao abandono de terrenos, cuja limpeza seria essencial para evitar os incêndios florestais», relembra o director regional do ICNB.
Com a reestruturação do ICNB, em 2007, o PNSE, a Reserva Natural da Serra da Malcata, o Parque Natural do Tejo Internacional, a Paisagem Protegida da Serra do Açor e o Parque Natural da Serra de São Mamede passaram a estar sob alçada do mesmo director. Como resultado, a gestão destas áreas protegidas passou a ser feita numa óptica global.



Ano Internacional da Biodiversidade celebrado na Estrela em 2010

Apostar na educação ambiental de quem convive com o PNSE deve ser uma aposta importante no âmbito do Ano Internacional da Biodiversidade, que se celebra em 2010. Pelo menos, esta é a opinião do Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE), uma estrutura do município de Seia que promove o conhecimento e divulgação do património ambiental da região.
Para o próximo ano, o centro vai apresentar uma nova exposição temática, no âmbito das celebrações pela biodiversidade. A exibição junta-se assim à exposição permanente do CISE, que integra aspectos científicos, didácticos e lúdicos para explicar as especificidades da região centro e da Serra da Estrela a quem lá passa.
O centro tem ainda uma exposição temporária dedicada aos “Habitates Natura(is) da Estrela”, que pretende dar a conhecer cada um dos habitates de importância comunitária identificados na Serra da Estrela e definidos na Rede Natura. Criado em 2000, o centro já sente «a constante procura por parte das escolas do concelho para o desenvolvimento das diferentes actividades de educação ambiental», explica Ana Fonseca, uma das responsáveis do CISE.
Já o PNSE também terá actividades específicas de educação ambiental no âmbito do Ano Internacional da Biodiversidade, que a


Fonte: AmbienteOnline - 07-12-009

domingo, abril 13, 2008

Marcha no Vale do Zêzere (Salgadeira e Vale da Candeeira), no Parque N. da Serra da Estrela, dia 20 de Abril, organizado pelo Clube Seita BTT/lazer

Marcha no Vale do Zêzere
Salgadeira e Vale da Candeeira


20 de Abril

Parque Natural da Serra da Estrela


Clicar na imagem para ampliar


Ponto de Encontro: junto à Câmara Municipal de Oliveira do Hospital (7h30)
Saída : 8h00, em autocarro para Torre (PSE)
Tipo de percurso: Circular
Tempo Previsto: 5 horas
Grau de dificuldade: médio/elevado

Organização: Clube Seita BTT/lazer


O percurso terá acompanhamento por dois guias do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE)


Inscrições:
Clube Seita BTT/lazer
Tlm. 962464781 ; 917836155
clubeseitabttlazer@gmail.com



Fonte do texto e imagem:
Clube Seita BTT/lazer

domingo, fevereiro 24, 2008

Excessiva cosmética e marketing na gestão e preservação das áreas protegidas


No domingo do fim-de-semana passado um grupo de caminhadas intentou fazer uma caminhada, com a presença de algumas dezenas de caminheiros, desde a Portela do Homem aos Carris, na Serra do Gerês. Pouco depois da saida da Portela do Homem foram impedidos por um guarda florestal, que se fazia acompanhar de guardas da GNR, de realizar tal caminhada pelo vale do Rio Homem acima. Curiosamente um dia antes, no Sábado, um outro de grupo de caminhadas, em número afim ao do grupo de Domingo, efectuou também a subida aos Carris, mas não foi impedido de o fazer. Será que os guardas florestais do PNPG e os da GNR fazem folgas aos Sábado?

No PNPG existem 3 níveis de protecção dos espaços naturais: integral, parcial e complementar. Nas áreas de protecção integral e parcial não se pode realizar actividades de montanhismo. Já as caminhadas (o pedestrianismo) podem ser efectuadas por caminhos 'bem' definidos em àreas de protecção parcial, mas não integral. O caminho de subida às minas de Carris a partir da Portela do Homem, uma ascensão dos 800 metros aos 1450 metros, é praticamente toda efectuada em área de protecção parcial, contudo numa ínfima parte é de protecção integral. Essa ínfima parte de protecção integral está prevista passar a área de protecção parcial há já alguns anos o que será concretizado no próximo plano de ordenamento do PNPG. As direcções do PNPG afirmaram, em várias ocasiões, ser quase absurdo não se poder efectuar o percurso da Portela aos Carris, apenas por esse facto.
Então, também não será absurdo guardas do PNPG impedirem que grupos realizem o caminho dos Carris, quando eles são os primeiros a defender que se possa fazer tal caminho? Não se pode ter um discurso teórico oposto à prática.
O que se continua a observar é que quem andar pelo Gerês fora dos caminhos e estradões, por áreas de protecção parcial ou integral pode andar descansado que não será ´incomodado' pelo guardas; já quem seguir por caminhos bem definidos como o caminho do Carris, é provável ser impedido de tal. Obviamente, este facto imbrica deveras com o escasso número de guardas do PNPG, mas a sua 'justificação' não se pode refugiar somente nesta limitação.

Sabemos que o pedestrianismo privilegia a passagem por caminhos já traçados, existentes, e o montanhismo segue sobretudo pelo pé-posto, até 'pelo corta-mato', e deste modo será, à partida, mais nocivo aos espaços naturais, até pelo realização de dormidas na serra (embora o pedestrianismo comporte, regra geral, grupos mais numerosos). Regular com princípios e regras muito bem definidas (e não só o habitué "aqui é permitido " e "aqui é proibido"), as actividades de pedestrianismo nas serras portuguesas é tarefa menos complexa que as relativas às actividades de montanhismo. É pertinente fazê-lo, até pela crescente adesão de participantes, que se tem registado nos últimos anos.




Bem mas mais curioso foi constatar que também no mesmo fim-de-semana (o passado), realizou-se na Serra da Estrela, no Covão de Ametade, um encontro de motards (Eskimós 2008), em que foi montada quase uma (espécie de) cidade ambulante neste local protegido, situado a 1450 metros (curiosamente a mesma altitude dos Carris, nos Gerês).

O Covão de Ametade é uma área de especial interesse na Serra da Estrela. Este Covão é um antigo circo glaciar, o maior da S. da Estrela, que na última glaciação (Würm, há cerca de 20 mil anos) atingia os 300 metros de espessura de gelo (ou seja o seu limite superior do gelo rondava os 1800 metros [tendo em conta a contínua abrasão inferior]). A língua glaciar prolongava-se pelo Vale do Zêzere ao longo de 13 km (uma das maiores da Europa). Na actualidade, o Covão de Ametade integra o Parque Natural da Serra da Estrela, o Sítio Rede Natura 2000 e a Reserva Biogenética Serra da Estrela. A nível paisagístico é um dos cartões de visita de Serra, até pelos vistas dos Cântaros em redor e da nascente do Zêzere, e conserva uma belo coberto florestal de bétulas. O Covão d'Ametade não se restringe ao seu sopé, a 1450 metros, mas estende-se por andares/patamares de altitude até perto dos 1900 metros. Lugares de altitude superior a 1550 metros só existem em Portugal continental na Serra da Estrela, e deste modo, só por este facto, alberga uma flora e fauna singular, bem como todo o seu composto mineral.
O Covão de Ametade é inatamente uma aprazível área de recreio pelas condições naturais que apresenta: extensa zona aplanada, mais abrigada de ventanias, de boa acessibilidade ao longo do ano e como tal é umas das eleitas 'antecâmaras' de recreio, relativamente ao planalto superior da Torre. Não possui um grau de protecção como o da zona do planalto da Torre, por ser vista pela direcção do Parque, numa perspectiva redutora (porventura por manifesto interesse) apenas quase ao nível da sua base, a 1450 metros.

O evento do passado fim-de-semana que aí se realizou revelou-se manifestamente excessivo e mesmo nocivo para esta zona. Com a presença de 300 participantes, foram montadas tendas gigantes, de campanha, aquecidas para servirem como espaço de convívio e refeitório, barracas de comes e bebes e de venda de souvenirs, geradores eléctricos; houve muita iluminação (de noite e de dia), muito som, duches quentes, foram feitos diversos fogos de campo em locais diversos do Covão. Por outro lado, centenas de viaturas motorizadas (motos, carros, carrinhas, camiões) circularam e aparcaram sobre o coberto vegetal. Em suma, uma 'cidade ambulante', para conforto dos participantes.

De evidenciar que a realização de este evento foi aprovado pelos serviços do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) e, de acordo com os organizadores, recebeu colaboração de técnicos do parque para a ‘preparação’ do local.


Mais do que as palavras ficam as fotos.

Fotos do evento "Eskimós 2008", do blogue "Máfia da Cova":

Vista, ao fundo, do Cântaro Magro (1927 m)








Esta duas situações ocorridas no fim-de-semana anterior nos dois principais Parques do país (PNPG e PNSE), e que descrevi acima, evidenciam que a gestão e preservação das áreas protegidas em Portugal continua a ser muito mais parecença que essência, e isto não tanto por responsabilidade dos técnicos (e funcionários dos parques), mas sobretudo dos gestores e políticos portugueses.



Nota: as informações sobre o evento "Eskimós 2008" foram recolhidas no blogue "O Cântaro Zangado"