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segunda-feira, julho 12, 2010

Trilho da Calcedónia (Gerês - Terras de Bouro), dia 18 de Julho

Trilho da Calcedónia

Gerês - Terras de Bouro.


18 de Julho de 2010


Organização: grupo de caminhadas do blogue "Pedestrianismo e Percursos Pedestres"


Localização: freguesia de Covide, concelho de Terras de Bouro
Local de concentração e inicio do percurso: Lugar do Calvário (cruzamento de Covide, freguesia de Terras de Bouro)
Hora de concentração: 10h00
Hora de partida: 10h15
Distância a percorrer: 10 km
Grau de dificuldade: elevado
Tipo de percurso: circular
Material necessário: roupa adequada a caminhar no campo/natureza e à meteorologia do dia



Inscrições gratuitas (não incluem seguro, transporte e almoço, devendo os participantes levar almoço volante):

Inscrições em formulário online - (clicar para aceder)



O trilho da Calcedónoia desenvolve-se nos territórios de Covide e de Campo do Gerês, os quais apresentam um enredo histórico-cultural marcante, pelas suas tradições comunitárias e antiguidades arqueológicas. Este traçado circular pretende atingir o mítico sítio arqueológico denominado “Fraga da Cidade”, que os eruditos seiscentistas imortalizaram com o clássico topónimo de Calcedónia.


Roteiro do Percurso
O Percurso tem início no cruzamento das estradas EN 307 e EN 304, na freguesia de Covide. Desde o cruzamento seguimos a estrada EN 307 em direcção a Campo do Gerês. Depois de percorrermos cerca de 400 metros viramos à direita, passando depois no lugar de Várzeas (próximo deste lugar passa a via romana). Após passarmos um ribeiro o declive torna-se mais acentuado e vamos avistando belas paisagens defronte do nosso olhar. À nossa volta o caos granítico, formando grandes amontoados de blocos com formas diversas, esculpidas pelo lento processo dos ventos e gelo, e que a imaginação popular associa a animais, penhas, bolas, caos de blocos, pias e blocos pedunculados.
Em breve chegámos à Calcedónia, um morro gigantesco de gigantes penedos que em tempos teve a função de castro defensivo, o qual terá sido ocupado pelas legiões romanas. Circulámos entre os grandes penedos até que nos embrenhámos num percurso de passagens estreitas que nos leva ao início do conhecida Fenda da Calcedónia
Possibilidade para quem pretender de efectuar a passagem da Fenda da Calcedónia.

Começamos depois a descer novamente em direcção a Covide pelo meio dos grandes blocos de granito de um pequeno bosque de carvalhos. Mais em baixo passámos pelo Poço Azul, uma pequena piscina natural de águas puras e cristalinas. Daí seguimos um caminho de terra batida que em algumas centenas de metros nos conduzirá ao ponto de partida.

O percurso é no geral constituído por certos traçados declivosos, que o tornam de dificuldade acrescida.


Mapa do Percurso

[percursos a linha a tracejado a azul]
[ponto de partida - 'círculo' verde]
(clicar no mapa para ampliar)





Fauna
Ao longo do trilho observam-se anfíbios, répteis e aves nos seus habitats naturais. Nos charcos existem o tritão-marmoreado, tritão-de-ventre-laranja, rã-ibérica, rã-verde, sapo-parteiro, sapo-comum e a salamandra-de-pintas-amarelas. Os répteis encontram-se nas zonas de grande exposição de raios solares e nos recônditos abrigos proporcionados pelas pedras.
Avistam-se espécies importantes de aves, associadas aos matos, a zonas rochosas e a zonas abertas, como o falcão peregrino, e o peneireiro-comum, cartaxo, a cia, a cotovia, o cuco, o melro-das-rochas, melro-azul e a águia-de-asa-redonda. Os hábitos mais esquivos dos mamíferos torna difícil a sua observação, porém, as pegadas, dejectos, marcações de território e vestígios de alimentação são indícios da presença do lobo, da gineta, fuinha, cabra, cavalo, corço e esquilo.



Flora
Neste Trilho predominam dois tipos de flora: eurosiberiana, com as espécies dos habitats húmidos/frescos e a flora ibero-atlântica predominante nas zonas secas. A coexistência desta variedade traduz uma paisagem rica que a torna singular. O traçado inicial do Trilho está ladeado de espécies florísticas de valor dendrológico, nomeadamente o Carvalho -Quercus robur, Castanheiro - Castanea sativa e Pinheiro - Pinus pinaster.
À medida que se avança em altitude, a vegetação arbórea exprime exemplares isolados de Pinheiros e Carvalhos. Nas chãs, o pilriteiro - Crataegus monogyna destaca-se na paisagem pela sua agressividade. Na proximidade da “Cidade da Calcedónia” o estrato arbustivo marca a paisagem com a urze Erica cinerea, Tojo arnal - Ulex europaeus, Tojo molar - Ulex minor, Torga - Calluna vulgaris, Carqueja - Chamaespartium tridentatum, Giesta - Cytisus striatus, Violeta - Viola spp, Fetos - Pteridium aquilinum, Musgos - Polytricum spp., Dedaleira - Digitalis purpurea e Abrótega - Asphodelus s.p.



"Subimos à Calcedónia, uma das coroas de glória cá da serra. A tarde estava como veludo, e as fragas, amolecidas pela luz, pareciam broas de pão a arrefecer. Do alto, a paisagem era de um aconchego de berço. Muros sucessivos de cristas - círculos concêntricos de esterilidade - envolviam e preservavam a solidão"
Miguel Torga, 6 de Agosto de 1952


Localização de Covide (contorno a vermelho)
(clicar no mapa para ampliar)



FOTOS DO PERCURSO
(autoria de Fernando Vilarinho)

(clicar na foto e seguintes para ampliar)
























Entrada da Fenda da Calcedónia













Contactos:
blogue "Pedestrianismo e Percursos Pedestres"
http://pedestrianismo.blogspot.com
Tlm.. 96 5683938 ; 91 4279361 ; 93 3872245
email: pedestrianismo@gmail.com

Inscrições gratuitas (não inclui transporte, seguro e alimentação, que fica à mercê dos participantes - possibilidade de troca de boleias), não obrigatórias mas conveniente de serem efectuadas para melhor ajuste à actividade.




Este "Trilho da Calcedónia" insere-se no Ciclo de caminhadas "Pelo caminhos do noroeste português" 2009/2010. Neste ciclo de caminhadas são percorridas diversas áreas naturais e rurais do noroeste português (Minho e distritos do Porto e Aveiro) calcorreando uma miríade de paisagens destas regiões bem como contactando in loco com o seu património de índole diversa: natural, ecológico, biológico, rural, etnográfico, arquitectónico, histórico e sócio-cultural.


Link do Ciclo de Caminhadas:


Clicar para ampliar

domingo, fevereiro 24, 2008

Excessiva cosmética e marketing na gestão e preservação das áreas protegidas


No domingo do fim-de-semana passado um grupo de caminhadas intentou fazer uma caminhada, com a presença de algumas dezenas de caminheiros, desde a Portela do Homem aos Carris, na Serra do Gerês. Pouco depois da saida da Portela do Homem foram impedidos por um guarda florestal, que se fazia acompanhar de guardas da GNR, de realizar tal caminhada pelo vale do Rio Homem acima. Curiosamente um dia antes, no Sábado, um outro de grupo de caminhadas, em número afim ao do grupo de Domingo, efectuou também a subida aos Carris, mas não foi impedido de o fazer. Será que os guardas florestais do PNPG e os da GNR fazem folgas aos Sábado?

No PNPG existem 3 níveis de protecção dos espaços naturais: integral, parcial e complementar. Nas áreas de protecção integral e parcial não se pode realizar actividades de montanhismo. Já as caminhadas (o pedestrianismo) podem ser efectuadas por caminhos 'bem' definidos em àreas de protecção parcial, mas não integral. O caminho de subida às minas de Carris a partir da Portela do Homem, uma ascensão dos 800 metros aos 1450 metros, é praticamente toda efectuada em área de protecção parcial, contudo numa ínfima parte é de protecção integral. Essa ínfima parte de protecção integral está prevista passar a área de protecção parcial há já alguns anos o que será concretizado no próximo plano de ordenamento do PNPG. As direcções do PNPG afirmaram, em várias ocasiões, ser quase absurdo não se poder efectuar o percurso da Portela aos Carris, apenas por esse facto.
Então, também não será absurdo guardas do PNPG impedirem que grupos realizem o caminho dos Carris, quando eles são os primeiros a defender que se possa fazer tal caminho? Não se pode ter um discurso teórico oposto à prática.
O que se continua a observar é que quem andar pelo Gerês fora dos caminhos e estradões, por áreas de protecção parcial ou integral pode andar descansado que não será ´incomodado' pelo guardas; já quem seguir por caminhos bem definidos como o caminho do Carris, é provável ser impedido de tal. Obviamente, este facto imbrica deveras com o escasso número de guardas do PNPG, mas a sua 'justificação' não se pode refugiar somente nesta limitação.

Sabemos que o pedestrianismo privilegia a passagem por caminhos já traçados, existentes, e o montanhismo segue sobretudo pelo pé-posto, até 'pelo corta-mato', e deste modo será, à partida, mais nocivo aos espaços naturais, até pelo realização de dormidas na serra (embora o pedestrianismo comporte, regra geral, grupos mais numerosos). Regular com princípios e regras muito bem definidas (e não só o habitué "aqui é permitido " e "aqui é proibido"), as actividades de pedestrianismo nas serras portuguesas é tarefa menos complexa que as relativas às actividades de montanhismo. É pertinente fazê-lo, até pela crescente adesão de participantes, que se tem registado nos últimos anos.




Bem mas mais curioso foi constatar que também no mesmo fim-de-semana (o passado), realizou-se na Serra da Estrela, no Covão de Ametade, um encontro de motards (Eskimós 2008), em que foi montada quase uma (espécie de) cidade ambulante neste local protegido, situado a 1450 metros (curiosamente a mesma altitude dos Carris, nos Gerês).

O Covão de Ametade é uma área de especial interesse na Serra da Estrela. Este Covão é um antigo circo glaciar, o maior da S. da Estrela, que na última glaciação (Würm, há cerca de 20 mil anos) atingia os 300 metros de espessura de gelo (ou seja o seu limite superior do gelo rondava os 1800 metros [tendo em conta a contínua abrasão inferior]). A língua glaciar prolongava-se pelo Vale do Zêzere ao longo de 13 km (uma das maiores da Europa). Na actualidade, o Covão de Ametade integra o Parque Natural da Serra da Estrela, o Sítio Rede Natura 2000 e a Reserva Biogenética Serra da Estrela. A nível paisagístico é um dos cartões de visita de Serra, até pelos vistas dos Cântaros em redor e da nascente do Zêzere, e conserva uma belo coberto florestal de bétulas. O Covão d'Ametade não se restringe ao seu sopé, a 1450 metros, mas estende-se por andares/patamares de altitude até perto dos 1900 metros. Lugares de altitude superior a 1550 metros só existem em Portugal continental na Serra da Estrela, e deste modo, só por este facto, alberga uma flora e fauna singular, bem como todo o seu composto mineral.
O Covão de Ametade é inatamente uma aprazível área de recreio pelas condições naturais que apresenta: extensa zona aplanada, mais abrigada de ventanias, de boa acessibilidade ao longo do ano e como tal é umas das eleitas 'antecâmaras' de recreio, relativamente ao planalto superior da Torre. Não possui um grau de protecção como o da zona do planalto da Torre, por ser vista pela direcção do Parque, numa perspectiva redutora (porventura por manifesto interesse) apenas quase ao nível da sua base, a 1450 metros.

O evento do passado fim-de-semana que aí se realizou revelou-se manifestamente excessivo e mesmo nocivo para esta zona. Com a presença de 300 participantes, foram montadas tendas gigantes, de campanha, aquecidas para servirem como espaço de convívio e refeitório, barracas de comes e bebes e de venda de souvenirs, geradores eléctricos; houve muita iluminação (de noite e de dia), muito som, duches quentes, foram feitos diversos fogos de campo em locais diversos do Covão. Por outro lado, centenas de viaturas motorizadas (motos, carros, carrinhas, camiões) circularam e aparcaram sobre o coberto vegetal. Em suma, uma 'cidade ambulante', para conforto dos participantes.

De evidenciar que a realização de este evento foi aprovado pelos serviços do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) e, de acordo com os organizadores, recebeu colaboração de técnicos do parque para a ‘preparação’ do local.


Mais do que as palavras ficam as fotos.

Fotos do evento "Eskimós 2008", do blogue "Máfia da Cova":

Vista, ao fundo, do Cântaro Magro (1927 m)








Esta duas situações ocorridas no fim-de-semana anterior nos dois principais Parques do país (PNPG e PNSE), e que descrevi acima, evidenciam que a gestão e preservação das áreas protegidas em Portugal continua a ser muito mais parecença que essência, e isto não tanto por responsabilidade dos técnicos (e funcionários dos parques), mas sobretudo dos gestores e políticos portugueses.



Nota: as informações sobre o evento "Eskimós 2008" foram recolhidas no blogue "O Cântaro Zangado"

quinta-feira, novembro 01, 2007

Passeio pedestre pela Geira Romana, no Gerês, dia 27 de Outubro, organizado pelos Amigos da Montanha

No dia 27 de Outubro, a secção de Pedestrianismo dos Amigos da Montanha organizou um passeio pedestre pela “Geira Romana”, no Gerês, uma antiga estrada militar que liga Braga (Bracara Augusta) a Astorga (Astúrica Augusta), construída presumivelmente no último terço do séc. I d.C.

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Participaram nesta actividade cerca de 60 pessoas, que percorreram os 16 km do percurso sob um céu encoberto e temperatura ligeiramente baixa. A actividade início na freguesia de “Campo de Gerês”, até Lóbios, já em Espanha, com final nas termas de banhos quentes. Aliás, muito quentes…

Ainda foi possível ver as ruínas da aldeia de Vilarinho das Furnas, pois o nível da água estava ligeiramente mais baixo que o normal, permitindo desse modo observar mais um local de interesse histórico de nível nacional.

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Este traçado é especial, pois é extremamente rico em história romana, com quantidade invulgar de marcos miliários sem paralelo noutras zonas do Império Romano, além da riqueza natural do PNPG, com a possibilidade de percorrer o caminho, ao longo de quilómetros, quase sem interrupções, extensos troços de calçada, ver ruínas de pontes de madeira e de pedra sobre rios, ver mesmo restos das pedreiras de onde se extraíam os miliários, além da envolvente paisagística em que se insere, que formam um percurso notável.


Fonte do texto e fotos: Amigos da Montanha

domingo, agosto 19, 2007

Vias Romanas do Noroeste português serão candidatas a Património Universal da Humanidade, da UNESCO.


"A Câmara Municipal de Terras de Bouro está a lançar os alicerces para apresentar a candidatura das Vias Romanas a Património Mundial da Humanidade. O projecto ainda não está completo e, por sugestão da próprio UNESCO, deve ser alargado aos concelhos portugueses e espanhóis por onde passam as também conhecidas como Vias Atlânticas e cujo destaque é a Geira Romana. O presidente da Câmara de Terras de Bouro, António Afonso, recorda que «já foram feitas a limpeza, a recuperação e instalada a sinalética, foram editados roteiros e vídeos e criados o Museu da Geira e a Galeria dos Miliários».

Recorde-se que recentemente o município de Terras de Bouro foi contemplado com a atribuição do prémio de turismo, na área do ambiente, pela candidatura do projecto "A Geira na Serra do Gerês". O autarca reconhece que «é muito difícil apresentar uma candidatura a património da Humanidade porque os critérios são muito rigorosos», mas revelou que «há uma equipa em permanente diálogo com a UNESCO para que todos os passos possam ser bem dados».

Em cima da mesa está também a possibilidade de pedir o alargamento da área já existente como património da Humanidade, as ruínas auríferas "Las Medullas", de modo a o incluir o traçado romano que liga Braga a Astorga, na Galiza. António Afonso reforça a ideia de que a recente distinção é o «reconhecimento dos projectos que a autarquia tem concebido em prol da preservação ambiental e patrimonial com o objectivo do desenvolvimento local em termos de sustentabilidade do território». O autarca lamenta, no entanto, que «muitos dos projectos não sejam aprovados do ponto de vista financeiro, o que torna impossível ou muito morosos a concretização de alguns projectos».

Via sinalizada em Vila Verde
A Via XIX, itinerário de Antonino entre Bracara Augusta (Braga) e Lucus Augusti (Lugo) vai contar com sinalética nova que depois de pronta irá permitir o início de visitas até ao final do ano da via romana. Depois da fase de descoberta e definição do traçado, cumpre-se ainda a fase de limpeza, em alguns municípios, e aguarda-se a instalação da sinalética, concepção de materiais promocionais e início das visitas. «A maioria dos parceiros já recuperou e limpou a via, faltando apenas a alguns concluir esse processo», avança Adélia Santos, arqueóloga e responsável pelo Gabinete de História de Arqueologia da Câmara Municipal de Vila Verde. Em Vila Verde a limpeza está concluída. «Logo que os restantes parceiros concluam o processo, o que deve acontecer em breve, inicia-se a fase de abertura do concurso público para instalação da sinalética»."

Pedro Antunes Pereira


Fonte: Jornal de Notícias - 19-08-007

quarta-feira, agosto 08, 2007

Projecto "A Geira na Serra do Gerês", de Terras do Bouro, granjeia o 1º Prémio de Turismo, na área do ambiente, a nível nacional

O município de Terras de Bouro foi contemplado com a atribuição do prémio de Turismo, na área do ambiente, pela candidatura do projecto "A Geira na Serra do Gerês", que alcançou o primeiro lugar num universo de 125 candidaturas.

O anúncio realizou-se ontem, em Lisboa, pelo Secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, e Presidente do Turismo de Portugal, Luís Patrão, em cerimónia para o efeito que aproveitaram a presença do presidente do município para entregar a distinção.

Para o município de Terras de Bouro a distinção obtida é vista como reconhecimento dos projectos que a autarquia tem concebido em prol da preservação ambiental e patrimonial com o objectivo do desenvolvimento local em termos de sustentabilidade do território, apenas lamentando que muitos dos projectos não sejam aprovados do ponto de vista financeiro, o que torna impossível ou muito morosos a concretização de alguns projectos de requalificação e valorização de muitos espaços públicos do concelho que muito contribuiriam para a melhoria da actividade turística.

Clicar para aceder ao website do projecto


A Via Nova, em especial o traçado entre o lugar de Via Cova, Amares e Baños de Rio Caldo, Lovios, constitui um monumento excepcional, um património científico, cultural, pedagógico e turístico único. A possibilidade de percorrer o caminho romano, ao longo de quilómetros, quase sem interrupções, os extensos troços de calçada, a quantidade invulgar de miliários, as ruínas de pontes sobre rios caudalosos, as pedreiras de onde se extraíam os miliários, a visibilidade da via para a envolvente, o contexto paisagístico em que se insere, formam um recurso notável. A quantidade de miliários concentrados neste tramo da Via Nova, sem paralelo noutras áreas do Império Romano, a floresta que os envolve, suscitam uma magia extraordinária, resumida por uma arqueóloga italiana, da Universidade de La Sapienza de Roma, numa feliz expressão: “Foresta di Migliari”. Para valorizar este património várias entidades, lideradas pela Câmara Municipal de Terras de Bouro, apresentaram ao Programa Interreg IIIA o Projecto “A Geira na Serra do Gerês

Através deste Projecto pretende-se que a via romana, enquanto expressão de identidade cultural colectiva e testemunho vivo de um passado longínquo, possa ser fruída não apenas pela comunidade científica e elites mais cultas, mas também por diferentes e mais amplos grupos de visitantes, incluindo turistas interessados pela História, Património e Cultura da região.

Para que o património seja reconhecido como uma mais valia e um recurso que pode e deve ser gerido de modo a contribuir para o desenvolvimento sustentado das sociedades, é necessário construir equipamentos culturais, oferecer percursos históricos complementares e produzir informação em diversos suportes divulgativos.

Nesta perspectiva, o projecto Geira na Serra do Gerês foi desenhado para se desenvolver em duas fases.
Na primeira fase coexistem diversas linhas de trabalho: limpeza do caminho; estudo exaustivo dos percursos e zonas envolvente; levantamento topográfico do traçado da via e faixas marginais de protecção com pelo menos 50 m. de largura, à escala 1:1000; elaboração do Plano Director de Salvaguarda da Geira; projecto de construção da passagem hidráulica em estrutura de madeira, junto da ponte de S. Miguel; montagem de uma página Web e desenvolvimento de uma aplicação multimedia (CD-ROM); edição de folhetos e roteiros; sinalização do percurso. Paralelamente serão elaborados estudos e projectos nas especialidades de arquitectura, arqueologia, engenharia, paisagismo, turismo histórico-cultural e educação ambiental.
Numa segunda fase o eixo fundamental do projecto assenta na construção de um Museu polivalente, em que se destaca um núcleo central em S. João do Campo, uma Galeria para miliários na Portela do Homem, e pontos de sinalética nas portas dos concelhos de Amares e de Terras do Bouro.

Fonte do texto: Câmara Municipal de Terras de Bouro