Mostrar mensagens com a etiqueta Rio Sabor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rio Sabor. Mostrar todas as mensagens

domingo, abril 13, 2008

Caminhada pelo Rio Sabor, dia 25 de Abril, no ãmbito do III Encontro “Pelo Rio Sabor” , organizado pela Associação Sabor Livre e Associação Aldeia



Caminhada pelo Rio Sabor


25 de Abril


Progama:
09h00 – Concentração em Soutelo junto ao cruzeiro (estrada de Macedo de Cavaleiros para Mogadouro, a 10 km de Mogadouro)
09h30 – Mata-bicho
10h30 – Início da caminhada pelo Vale do Sabor
13h00 – Almoço campestre junto ao rio Sabor
15h00 – Continuação da caminhada
20h30 – Jantar em Sto. Antão da Barca
22h00 – Arraial tradicional com gaiteiros

Nota: Os carros particulares ficarão em Soutelo e serão resgatados no final da caminhada.

Organização: Associação Sabor Livre e Associação Aldeia


Esta caminhada decorre no âmbito do III Encontro “Pelo Rio Sabor” que se realiza nos dias 25 e 27 de Abril vai decorrer o nos concelhos de Mogadouro, Alfândega da Fé e Torre de Moncorvo. Este Encontro tem reunido algumas centenas de pessoas que ano após ano têm vindo ao Nordeste conhecer o vale do Sabor e afirmar a sua posição em defesa de um rio livre.

Durante o evento deste ano pretende-se dar a conhecer mais alguns recantos deste rio, através de passeios temáticos, caminhadas e palestras. Também não faltarão os passeios de burro, em btt e descida em canoa/kayak. Será uma óptima oportunidade para vir conhecer este rio, livre de barragens.

Como se sabe, existe um projecto para a construção de uma mega-barragem na zona do Baixo Sabor, defendido pelo Governo e pelas autarquias locais. O Rio Sabor é o último grande rio sem barragens do nosso país e um dos últimos da Europa nestas condições, sendo por isso reconhecido por muitos, como o último grande rio “selvagem”. De facto, este rio possui características únicas, que lhe permitem conservar uma importante comunidade de aves rupícolas ameaçadas e habitats de conservação prioritária a nível Europeu. Trata-se de uma área classificada como Rede Natura 2000 e Zona de Protecção Especial, segundo as Directivas Comunitárias, onde, por essas razões, não podem ser realizados empreendimentos causadores de grandes impactos ambientais. Face à decisão do Estado Português de aí construir uma barragem de grandes dimensões, que iria afectar 50 km de rio, a Plataforma Sabor Livre, apresentou uma queixa à Comissão Europeia, no sentido desta não aprovar a construção desta barragem e ainda de impedir o acesso a fundos comunitários para esse fim.

Apesar de toda a argumentação defendida pela Plataforma Sabor Livre, as notícias parecem indicar que a Comissão Europeia pretende arquivar a queixa, dando luz verde ao Estado português para avançar com a obra. A Plataforma Sabor Livre, e todas as associações que a apoiam, não pretendem desistir e continuarão a trabalhar no sentido de impedir legalmente que a barragem seja construída. Não será uma “batalha” fácil, mas acreditamos que ainda seja possível ganhar, conservando-se o rio Sabor.

A tua participação será muito importante! Junta-te a nós na defesa do rio Sabor! Por um rio Sabor Livre!


Inscrições e informações:

Associação Sabor Livre
saborlivre@gmail.com
Tlm. 960 173 863



Fonte do texto e imagem: Associação Aldeia



Saber mais sobre o III Encontro “Pelo Rio Sabor”


quinta-feira, maio 03, 2007

II Passeio Pedestre em Brunhoso - Rio Sabor - Cachão (concelho de Mogadouro), dia 7 de Abril

No dia 7 de Abril decorreu o II Passeio Pedestre em Terras de Brunhoso. Participaram cerca de 30 pessoas, desta vez tendo como destino o Rio Sabor, num ponto chamado Cachão. Um percurso deslumbrante como pano de fundo para um convívio de pessoas de várias faixas etárias e proveniências

O "ponto alto" do passeio é também o ponto mais distante da aldeia e um dos mais belos e agrestes locais da folha de Brunhoso. No Cachão, o Rio Sabor tem gravado milénios de luta, na sua ânsia de chagar ao Douro, rasgando gargantas, polindo o xisto, anormalmente rijo neste local. Separam o Cachão de Brunhoso quase sete quilómetros de caminho (por vezes sinuoso), ladeado por mantos de estevas floridas, rasgados por verdes sobreiros, até à Ribeira da Lagariça, à esquerda ou à Ribeira de Juncaínhos, à direita. Passeando os olhos mais longe, “vê-se daqui meio mundo”, tal como nos conta o o ti João no belo texto que ilustra o prospecto que serviu de guia do passeio.

Clicar para ampliar

A adesão da população é sempre uma incógnita. A incentivar as pessoas que se esforçam para que tudo corra tem, estava a participação confirmada de mais de duas dezenas de pessoas, no fórum da página.

Não estava no programa, mas, a Junta de Freguesia, decidiu oferecer aos participantes o mata-bicho. Pouco antes das nove horas começaram a chegar, ainda arrepiados da noite fria. Entre umas dentadas no tradicional folar, presunto, chouriço, queijo e um delicioso pão ainda a fumegar, escorregavam conversas e boa disposição que se mantiveram até final do passeio.

A meio da mesa encontrava-se uma garrafa de água(ardente) para matar o bicho, ou o catarro de algum fumador de charuto, ou alfacinha mais afoito.

Estudou-se o percurso no prospecto; distribuíram-se alguns postais da Fraga do Poio que ainda sobraram do Verão passado; apertaram-se as botas e ligaram-se as máquinas que haveriam de registar (para mais tarde recordar), muitos dos momentos em que várias gerações de brunhosenses, residentes e na diáspora, se encontram para descer ao Rio pelo prazer, mais nada.

A primeira fotografia do grupo, fez-se no Cabecinho (já livre dos cheiros de antigamente). A partir dali, foram tidos como pontos de referência, os marcados no prospecto, mas, os mais conhecedores, não se esquivaram a mostrar com orgulho, pedaços da sua terra a outros brulhosenses com sotaque do outro lado do Atlântico.

Entre a Lenda de Tecedeira (que já não mija), e canto do cuco e da poupa (que às vezes cheira como uma boubilha), chegámos à Fonte da Dona. O percurso que se seguiu, em terreno mais agreste, foi mostrando pedaços do rio, selvagem, ainda forte, para montante e para jusante. Já brilhavam lá ao fundo, as fragas, lisas, desgastadas no tempo, a que chamamos Cachão.


Depois de chegarmos ao rio, caminhamos um pouco para jusante de encontro à foz da Ribeira da Larariça. Aqui é lei da natureza quem manda. Grandes blocos de pedra são talhados pela carícia das águas. Entre observações de espanto, saltou-se de rocha em rocha dizendo: - Olha mais esta! Esta ainda é maior!

Começaram a chegar os “carros de apoio”, já passava do meio-dia. “Montámos acampamento” na margem do rio num espaçoso campo de relva.

Os quilómetros (mesmo a descer) tinham picado a foice. Juntou-se um grupo maior em volta de toalhas repletas de comida, que ia do mais elaborado bacalhau ao mais picante (e ácido) tomate ou vagem conservados no vinagre.


Provámos os vinhos. O de Brunhoso não se envergonhou de outros concorrentes de maior fama. Cristalino, quase rosé, combinava bem com o folar com carne gorda, como era tradição.

Estava na hora de voltar. O céu escureceu e atroou um pouco. Houve quem interpretasse estes sons como protesto (ou lamento), por aquilo que alguns pretendem fazer ao rio, mas as ideias tristes morreram quando subimos até ao Picão.

À nossa frente surgiu, mágico, o Sabor, deslizando, bem mais calmo, na Barca. Esta visão é inesquecível. O monte Santo Cristo, na freguesia de Castro Vicente, debruça-se sobre o rio, imponente, fazendo com que uma canoa que descia a açude parecesse um pequeno ponto num universo de beleza. Mais uma vez olhámos o Cachão. Foi uma despedida, depois da Fonte do Buraco é quase impossível vê-lo. Para alguns, fui uma despedida para sempre, para outros, quem sabe?

Folheto exterior do percurso (clicar para ampliar)


Folheto interior do percurso


Parámos de novo na Fonte de Juncais. A água fresca (que fumega de Inverno!), jorra abundantemente, escorrendo caminho abaixo. As hortas, lavradas, preparam-se para serem ocupadas, mostrando a sua fertilidade em marmeleiros, malapas e pereiras em flor.

Partimos, assustados pelo atroar, em direcção a Brunhoso. Quando atingimos as primeiras casas da aldeia, grossas gotas desprendiam-se dos céus. Já abrigados e contentes, olhámos as fotografias e discutimos projectos futuros. Esta é também uma forma de sentir Brunhoso, vivo, natural, humano, que queremos continuar a viver.


Fonte do texto e imagens: website da freguesia do Brunhoso