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terça-feira, junho 05, 2007

Rota do Contrabando é hoje inaugurada em Tourém, Montalegre, no âmbito das Carrilheiras do Barroso

A Rota do Contrabando é hoje inaugurada em Tourém, Montalegre, no âmbito das Carrilheiras do Barroso. A Rota do Contrabando é um trilho criado no âmbito de um projecto comunitário que recupera os caminhos por onde, clandestinamente, portugueses e galegos faziam trocas comerciais.

Foi comerciante, continua agricultor e, em breve, abraçará uma nova profissão. Aos 85 anos, Bento Barroso Grilo, de Tourém, em Montalegre, vai tornar-se guia turístico. Por um dia, pelo menos. E entre outros, Bento será um dos habitantes da aldeia a quem caberá contar as peripécias à volta do contrabando às cerca de duzentas pessoas que vão estrear a Rota, no âmbito das Carrilheiras do Barroso, uma iniciativa do Ecomuseu do Barroso, que se propõe dar a conhecer o concelho.

Em Tourém, o contrabando era uma prática comum em todas as famílias. No entanto, Bento surge como uma espécie de especialista na matéria, desde o contrabando do volfrâmio, no longínquo ano de 1936, até ao café, ao azeite, ou ao bacalhau, realidades mais recentes.

Ontem, por "simpatia", largou a enxada com que sachava batatas e percorreu parte da rota com o JN. As histórias sucederam-se. "Às vezes, tínhamos de atirar com os sacos e botarmo-nos ao chão. Os nossos guardas não atiravam, mas os espanhóis disparavam!", recorda, lembrando ainda que os fiscais do lado de lá também não se ensaiavam nada para dar umas "hóstias [bofetadas]". "Felizmente, a mim nunca me bateram!", regozija-se.

Bento não esquece também que foi por Tourém que passaram as primeiras máquinas de jogo do Casino da Póvoa. "Vinham numas caixas que pareciam urnas e pesavam para aí uns 200 quilos. Vieram do Norte da América para Barcelona e daí para Ourense. Nós fomos buscá-las com um tractor a Vilarinho (parte galega)", recorda.

José Alves, outro potencial guia turístico, é mais novo que Bento, mas nem por isso lhe faltam histórias para contar. "Um dia, por quatro litros de vinho, fizeram-me pagar 400 escudos. Hoje, dava para comprar um vitelo!", diz, acrescentando "E as mulheres que levavam ovos nas tetas para trazer azeite? O pior era que os guardas desconfiavam e com uma bengala batiam-lhe nos peitos. Era só gemas a escorrer pelas pernas!", lembra, para rematar: "Eu cada vez que passo por aqueles caminhos e me lembro do que passámos e que agora se passa livremente parece que nem acredito!".

A Rota do Contrabando de Tourém é a primeira de um conjunto de trilhos que estão a ser criados no âmbito de um projecto que envolve também a Câmara Municipal de Chaves, a Associação de Desenvolvimento do Alto Tâmega (ADRAT) e outras entidades do lado de lá da fronteira. Tem financiamento do Interreg e é mais uma medida de apoio ao desenvolvimento local e sustentável. Ao atrair turistas, como defende David Teixeira, do Ecomuseu do Barroso, está meio caminho andado para a dinamização da venda dos produtos da região, que poderá complementar os rendimentos das famílias. Além da sinalização dos percursos, o projecto prevê também a colocação de painéis informativos, bem como a elaboração de material informativo sobre o tema."


Fonte: Jornal de Notícías - 3-6-007

sexta-feira, junho 01, 2007

Rota do Contrabando, entre Tourém e o Couto Misto, será inaugurada dia 3 de Junho no âmbito das Carrilheiras de Barroso

"Dezenas de pessoas percorrem Domingo, entre Montalegre e a Galiza, uma das rotas do contrabando que há cerca de 50 anos era atravessada, pela calada da noite, pelos contrabandistas carregados de bacalhau, bananas ou azeite.

A reactivação da rota do contrabando, ao longo de 11 quilómetros, entre Tourém e o Couto Misto, com passagem pela barragem de Salles - que separa Portugal de Espanha - é da responsabilidade do Ecomuseu do Barroso.

Um dos responsáveis do Ecomuseu, David Teixeira, disse à agência Lusa que o objectivo é que, em Setembro, no decorrer do Congresso de Medicina Popular de Vila Perdizes, seja inaugurada uma segunda rota do contrabando. Este segundo percurso, com 12 quilómetros, ligará Vilar de Perdizes a Videferre e pretende-se que venha a ter como guias os populares que, há décadas atrás, o utilizavam para contrabandear os mais diversos produtos.

«Nestas aldeias a maior parte da população dedicava-se ao contrabando para ter uma vida melhor», salientou o responsável. Segundo disse, os contrabandistas traziam de Espanha bacalhau, bananas ou azeite e levavam para o outro lado da fronteira café e volfrâmio.

Também o presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Perdizes, João Santos, ainda recorda os tempos em que «70 a 80 por cento» da população da sua aldeia «dependia do contrabando. Havia os que mandavam, os que tinham os burros que carregavam os materiais, e os que andavam à jeira e viam no contrabando uma forma de ganhar mais dinheiro», salientou.

David Teixeira referiu ainda que se pretende criar em Vilar de Perdizes, aproveitando o edifício da escola que encerrou, um museu do contrabando. Também em Tourém será criado numa antiga corte do boi um museu dedicado à fauna e flora da região.

Sábado, o Ecomuseu do Barroso promove as Carrilheiras de Barroso - IV Marcha de Montalegre onde, segundo o responsável, são esperadas cerca de 200 pessoas.

Os participantes poderão percorrer três circuitos diferentes, que feitos na totalidade atingem os 50 quilómetros, que os levarão por caminhos antigos de ligação entre aldeias e campos de cultivo e permitirão um contacto directo com o povo barrosão, e com os seus usos e costumes.

Depois de amanhã, tal como nas edições anteriores das Carrilheiras, os participantes poderão fazer três percursos distintos, num total de 50 quilómetros. A organização oferece água e comida, servida em vários locais ao longo dos percursos.

As inscrições podem ser feitas no posto de turismo de Montalegre (276 511 010), ou no próprio dia, no secretariado da iniciativa., por 12,5 ou 15 euros, consoante se trate de federados ou não."

Fonte: Diário Digital / Lusa - 30-5-007