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sábado, janeiro 01, 2011

Passos Contados 2011 - Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela

Passos Contados 2011
Passeios pedestres de interpretação da paisagem

Cacela - Vila Real de Santo António


Organização:
Câmara Municipal de Vila Real de Santo António

Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela


9 de Abril
Plantas medicinais e aromáticas do barrocal e serra algarvia
Com o mestre José Salgueiro
Ponto de encontro: 9.30 em Santa Rita
Existiu até há bem pouco tempo, nos meios rurais, um saber empírico, transmitido de geração  para geração, sobre as propriedades medicinais das plantas. Nascido no Alentejo, Mestre Zé  Salgueiro, filho de trabalhadores rurais, recebeu os saberes dos ensinamentos da mãe, de virtuosos, pastores e artífices que partilhavam o universo da medicina popular. Experimentou ao longo da vida os trabalhos do campo, a venda ambulante, o ofício de sapateiro e aos 50 anos resolveu assumir as suas paixões maiores: as plantas e a poesia. Com larga experiência na colheita e utilização de ervas para fins medicinais e um conhecimento acumulado ao longo de mais de 90 anos intensamente vividos, tem um genuíno prazer em transmitir os seus valiosos saberes.

14 de Maio
Descobrir Cacela Velha: caminhar, observar, mexer e desenhar com carvão, aguarela e tinturas
Com o artista plástico Francisco Pinheiro
Ponto de encontro: 9.30 em Cacela Velha
Numa caminhada, de bloco e lápis na mão, iremos inscrever as particularidades que fazem de Cacela velha um lugar especial. Ao longo do percurso vamos deter-nos nos diferentes pontos de interesse – a fortaleza, casas de arquitectura tradicional, a igreja, os vestígios da antiga muralha medieval – e na paisagem em redor.  faremos apontamentos rápidos em andamento, de pormenores, texturas, sombras, contornos, bem como desenhos mais demorados de um enquadramento, partindo do esboço até ao desenho final. Haverá ainda ugar para um desenho colectivo. Iremos também desenhar com tintas que serão feitas na própria sessão, a partir de pigmentos e plantas locais.

4 de Junho
Os bichos no conto popular português
Com o contador Luís Carmelo
Ponto de encontro: 9.30 em Santa Rita
Chegados de um tempo mítico “quando os animais e todos os vivos falavam”, os bichos protagonizam muitos dos contos do nosso imaginário popular. Nos contos de animais – com uma clara intenção moralizante – coelhos, formigas, ovelhas, macacos, burros, galos ou lobos e raposas, os mais comuns, são dotados de qualidades e defeitos como a cobardia, o orgulho, a esperteza ou a astúcia. Nos contos maravilhosos, peixes com promessas de riquezas, pombas a que há que retirar um alfinete ou touros de cuja orelha saem ricos manjares, são príncipes ou princesas encantados. Outros, como pássaros ou cavalos (velozes como o vento ou o pensamento), são preciosos auxiliares do herói ou da heroína.
Num percurso pelo espaço de uma aldeia e envolvente, os diversos animais que por aí habitam serão pretexto para um encontro com o bestiário da nossa tradição oral.

9 de Julho
Tecer a palma e os trapos. A empreita e outras artes algarvias
Com a artesã D. Maria Antónia
 Ponto de encontro: 15.00 em Santa Rita
Alcofas e balaios para acondicionar produtos agrícolas, esteiras para guardar e secar figos, gorpelhas para muares ou burros que acarretavam a azeitona, vassouros para caiar ou capacheiras para dentro se moer milho para o xerém e se peneirar farinha para o pão, eram alguns dos bens essenciais à vida no campo feitos a partir do trabalho da palma (folha da palmeira-anã), abundante na região.
D. Maria Antónia, que vamos encontrar num monte no sopé da serra, começou cedo nas artes da empreita, como as raparigas da altura, ajudando aos serões as mães a entrançar a palma em longas tiras, naquela que era uma importante actividade complementar do trabalho da terra. Mas há pouco tempo outras vontades comandam as suas mãos: tecer tapetes com retalhos de tecido e pequenas alcofas que entrançam, já não a palma, mas tiras de pacotes de leite e sumos.


6 de Agosto
Os astros na mitologia e na tradição popular portuguesa
Com o físico Cândido Marciano e a arqueóloga Catarina Oliveira
Ponto de encontro: 21.00 em Santa Rita
Pastores, camponeses e pescadores conheciam o firmamento, as estrelas e constelações, pelo nome que lhes davam os antepassados: setestrelo, estrela da manhã ou estrela do pastor, três marias, cadeira de S. Pedro ou estrela do norte. Da sua observação procuravam elementos para se orientarem no mar e na terra, saberem as horas, preverem o tempo e escolherem a melhor altura para sementeiras, colheitas ou para a pesca, … Na tradição popular, amuletos, rezas e dizeres atestam a antiguidade das crenças ligadas à lua, como as influências malignas nas crianças (mal de lua), que se protegiam com amuletos ou encomendando-as à nascença à lua como madrinha, bem como do determinismo lunar no crescimento da vegetação, na meteorologia, nas marés ou nos partos. Sabemos também que do firmamento o homem extraiu os ciclos temporais, organizou os calendários, celebrou dias festivos – como o Natal, Páscoa e S. João marcados pelos equinócios e solstícios – e fez nascer deuses e heróis.
Propomos uma viagem pela mitologia e tradições populares portuguesas a partir dos planetas e constelações visíveis nesta altura do ano.

17 de Setembro 
A chaminé e a platibanda no Algarve
Com os arquitectos Filipe Jorge e Victor Mestre
Ponto de encontro: 9.30 em Cacela Velha
A partir dos anos cinquenta e sessenta, com o desenvolvimento do turismo e a instituição dos valores de um “Algarve típico”, as chaminés e as platibandas ornamentadas, viriam a tornar-se nos elementos mais característicos da arquitectura popular algarvia. Expressões evidentes do domínio de técnicas ancestrais do trabalho da massa e do «jogo» do ladrilho e/ou da telha, estes elementos pretendiam, pelo menos desde o séc. XvIII e mais expressivamente nos finais do séc. XIX e ao longo de toda a primeira metade do XX, através das por vezes complexas gramáticas formais e decorativas e para lá do seu propósito funcional, mostrar a criatividade do mestre construtor e/ou o gosto do proprietário do imóvel onde se integravam. Ao longo deste percurso, e partindo de tipologias já definidas, iremos partir à descoberta na zona de Cacela das chaminés de balão; em grelha horizontal, constituídas por sucessões de ladrilhos ou de elementos trabalhados em massa; e de tipo vertical, geralmente animadas, tal como as platibandas, por intrincados jogos geométricos, angulosos e rendilhados.

8 de Outubro
Visitantes alados. Observando as aves da ria
Com o ornitólogo Filipe Moniz
Ponto de encontro: 9.30 em Cacela Velha
O fenómeno da migração das aves despertou desde sempre a atenção dos naturalistas, tendo mesmo sido fonte de inspiração para grandes viajantes. Todos os anos, pelo mundo fora, biliões de aves abandonam os seus territórios de reprodução em busca de locais de alimentação e condições ambientais mais favoráveis. A maioria destes migradores viajam apenas algumas centenas de quilómetros, mas outros percorrem distâncias equivalentes à da circunferência da terra. Aves como a andorinha-do-mar-Ártica são conhecidas por fazerem a mais longa migração regular, percorrendo todos os anos cerca de 19 000 Km desde os seus territórios de reprodução no Árctico até às águas da Antártida. Em Portugal um dos locais mais importantes de invernada para as aves migradoras é a ria formosa albergando milhares de aves limícolas. venha connosco conhecer alguns destes visitantes alados num passeio pela ria junto a Cacela velha.


Inscrições e Informações:
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela
Antiga Escola Primária de Santa Rita
Tel. / Fax: 281 952600
ciipcacela@gmail.com
http://ciip-cacela.blogspot.com

As participações são gratuitas e limitadas.
Inscreva-se com antecedência, deixando o seu nome e contacto



Passos Contados 2007 / 2008 / 2009 / 2010

domingo, abril 25, 2010

Passos Contados 2010 - Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela


Passos Contados 2010

Passeios pedestres de interpretação da paisagem

Cacela - Vila Real de Santo António


Organização:
Câmara Municipal de Vila Real de Santo António
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela


Começa em Abril em Cacela a 4ª edição do ciclo anual de passeios pedestres de interpretação da paisagem “Passos Contados”.

Passos Contados... porque os caminhos, os lugares, as pessoas contam estórias. O Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela / CMVRSA propõe este ano novas experiências de interpretação e descodificação das paisagens culturais e naturais do sotavento algarvio. Nesta quarta edição iremos à descoberta das plantas e dos seus antigos usos na medicina e alimentação; das heranças islâmicas nas formas de construir e habitar; de antigos caminhos, muros e valados; vamos durante a noite ouvir lendas sobre os antigos medos de bruxas e lobisomens; com os pés na água vamos apanhar e conhecer os bivalves da Ria Formosa; já no final do Verão vamos colher figos, e compreender a sua importância, a par da amêndoas e alfarroba, na história local; terminaremos com um percurso geológico sobre alterações no uso e ocupação do território.


17 de Abril
Plantas medicinais e aromáticas do barrocal e serra algarvia
Ponto de encontro: 09h30 em Santa Rita
Com o mestre José Salgueiro
Existiu até há bem pouco tempo, nos meios rurais, um saber empírico, transmitido de geração  para geração, sobre as propriedades medicinais das plantas. Nascido no Alentejo, Mestre Zé  Salgueiro, filho de trabalhadores rurais, recebeu os saberes dos ensinamentos da mãe, de virtuosos, pastores e artífices que partilhavam o universo da medicina popular. Experimentou ao longo da vida os trabalhos do campo, a venda ambulante, o ofício de sapateiro e aos 50 anos resolveu assumir as suas paixões maiores: as plantas e a poesia. Com larga experiência na colheita e utilização de ervas para fins medicinais e um conhecimento acumulado ao longo de mais de 90 anos intensamente vividos, tem um genuíno prazer em transmitir os seus valiosos saberes.

22 de Maio
Heranças islâmicas nas formas de construir e habitar
Ponto de encontro: 9.30 em Cacela Velha
Com o historiador Cláudio Torres
A casa rural do sul de Portugal – profundamente ligada ao relevo, clima, matérias-primas e tradições culturais – tem raízes no mundo mediterrânico antigo no que respeita à repartição funcional, técnicas construtivas, pormenores decorativos e formas de habitar. No Algarve, durante o período islâmico, a taipa serviu para a construção de estruturas defensivas (fortificações, muralhas) e habitações. Nas casas postas a descoberto pela arqueologia, a telha de meia cana assentava, como hoje, numa cobertura de caniço e espessos muros de taipa, que protegiam do calor intenso e, também como as habitações populares actuais, apresentavam revestimentos com cal e os pavimentos eram pintados a almagre. Encerradas sobre si com raras aberturas ao exterior, preservando a intimidade dos moradores, era nos pátios que a mulher se ocupava dos trabalhos domésticos, da confecção dos alimentos e da educação das crianças. Modos de viver e habitar a casa, que no sul se perpetuaram   no tempo.
Ao longo de um percurso com início no bairro islâmico almoada em cacela velha, vamos reflectir sobre o valor de uma herança transmitida por mestres, pedreiros, aprendizes que sabiamente manipulam a terra, numa utilização harmoniosa dos recursos oferecidos   pelo meio.      

26 de Junho
Antigos caminhos, muros e valados no sotavento algarvio
Ponto de encontro: 9.30 em Santa Rita
Com o historiador Luís Oliveira e o arqueólogo João Pedro Bernardes
Os caminhos, muros e valados encerram uma história e informações fundamentais para compreendermos os tipos de propriedade, os seus limites, trânsito de pessoas, animais, mercadorias, bem como de notícias e ideias. Entre núcleos povoados, lugares e fazendas, uma densa rede de caminhos, alguns remontando seguramente ao período romano – por cacela passava a via romana que ligava Baesuris a Ossonoba – tem assegurado o movimento dos homens, a concentração e distribuição de produtos. Estradas, caminhos, veredas, atalhos riscam a paisagem e guardam as marcas de quem os calcorreou a pé, de besta, de carro de bois ou carroça. Memórias antigas ligadas ao escoamento da produção mineira, dos produtos agrícolas das antigas  villae ou, mais recentemente, dos frutos secos do barrocal algarvio. Evocam o receio das emboscadas de quadrilhas de ladrões, guardam os passos dos almocreves com pesada carga, dos vendedores de conquilha errando de lugar em lugar, dos pastores conduzindo os seus rebanhos em busca do melhor pasto, das carroças puxadas por muares apregoando a cal de Santa Rita, mais branca que as demais, do pessoal da serra no final de Agosto em direcção à praia para o banho santo. 

10 de Julho
Bruxas, lobisomens e mouras. Medos nocturnos na tradição oral
Ponto de encontro: 21.30 em Santa Rita
Com o contador António Fontinha, a arqueóloga Catarina Oliveira e habitantes locaisBruxas, lobisomens, mouras, almas do outro mundo povoam o imaginário dos medos nocturnos das populações rurais. Estórias e lendas registam encontros fugazes de homens e mulheres com estes seres em determinados dias, horas e lugares. Acontecem usualmente em espaços exteriores à aldeia, conotados com a natureza e o perigo (penedos, fontes, poços, encruzilhadas, alfarrobeiras escuras). É também em horas abertas, normalmente próximo de meia-noite, que as bruxas e os lobisomens se transformam em animais, e que as mouras saem das entranhas da terra e se deixam descobrir. Nas zonas rurais mais isoladas, onde as noites são ainda escuras como o breu, alguns destes seres encontram refúgio, permanecendo vivos nas estórias e lendas contadas de boca em boca.

28 de Agosto
Com os pés na água à procura dos bivalves da Ria Formosa
Ponto de encontro: 9.30 em Cacela Velha
Com a bióloga marinha Paula Moura, viveiristas e mariscadores locais
vestígios de tanques para salga de pescado e preparação de pastas de peixe do período romano, e fragmentos de cerâmicas de cozinha islâmicas associados a cascas de conquilhas, ostras e amêijoas, atestam a antiguidade da exploração dos recursos do mar e da ria e a sua importância na dieta alimentar das gentes de cacela. Mariscadores e populações locais têm-se dedicado ao longo de muitos séculos à apanha de conquilhas, amêijoas, berbigão, lingueirão, cascabulhos (ostras) e búzios. Durante a maré vaza, continuamos a vê-los com água pela cintura puxando um arrasto na frente mar, no caso das conquilhas, com uma pá de mariscar cavando na lama da ria para apanhar amêijoa, ou com uma adriça para apanhar o lingueirão. Os cascabulhos, muito abundantes, apareciam agarrados às pedras ao longo da ria e nos períodos de carestia vividos durante a primeira grande guerra foram a base da alimentação do pessoal da serra que se deslocava ao litoral levando as albardas dos burros sempre cheias. Hoje, a paisagem da ria é marcada pelos viveiros de amêijoa e especialmente de ostra, iguarias recentemente revalorizadas nas ementas que se oferecem aos visitantes.

18 de Setembro
O figo, a amêndoas e a alfarroba no barrocal algarvio
Ponto de encontro: 9.30 em Santa Rita
Com o historiador António Rosa Mendes e produtores locais
Os campos do Algarve, escrevia por volta de 1750 Damião  faria e  castro (um dos raros escritores algarvios no século XvIII), produzem “inumerável quantidade de figos, passas, amêndoas…”. E noutro passo, referindo-se ao figo, assinala a “muita abundância deste fruto, que é a produção principal do Reino do Algarve”. Assim sempre fora e assim continuaria a ser colhido no verão, o figo ficava a secar no almanxar (termo que é inútil procurar nos dicionários, vem do árabe, al-manxar). Depois, quando não ia para o fumeiro, era enseirado – isto é, metido em seiras, pequenos cestos, e aí calcado; por cima, uma folhinhas de funcho, planta aromática e conservante. Trabalho feito por mulheres, elas é que enseiravam. Matava a fome à pobreza. 
Perguntem quantos, mas quantos!, saíam manhã cedo para a labuta só com uma machinha de figos no fundo da algibeira… 

9 de Outubro
Alterações no uso e ocupação do território: uma perspectiva geológica
Ponto de encontro: 9.30 em Cacela Velha
Com o geólogo Hélder Pereira
Ao longo de um percurso efectuado da serra para o litoral, passando pelo barrocal, miúdos e graúdos irão realizar uma viagem no tempo. Durante algumas horas poderão observar os vestígios deixados pelos nossos antepassados e ainda o que a paisagem, os afloramentos e as rochas, têm para nos contar acerca das alterações nos usos e ocupação do território de cacela ao longo dos últimos milhares de anos.


Inscrições e Informações:
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela
Antiga Escola Primária de Santa Rita
Tel. / Fax: 281 952600
ciipcacela@gmail.com
http://ciip-cacela.blogspot.com
http://www.cm-vrsa.pt/

As participações são gratuitas e limitadas.
Inscreva-se com antecedência, deixando o seu nome e contacto


Passos Contados 2007 / 2008 / 2009

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Passos Contados 2009 - Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela


Passos Contados 2009

Passeios pedestres de interpretação da paisagem

Cacela - Vila Real de Santo António


Organização:
Câmara Municipal de Vila Real de Santo António
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela

Colaboração:
ADRIP - Associação de Defesa, Reabilitação, Investigação e Promoção do Património Natural e Cultural de Cacela



Começa em Abril em Cacela a 3ª edição do ciclo anual de passeios pedestres de interpretação da paisagem “Passos Contados”.
Passos Contados... porque os caminhos, os lugares, as pessoas contam estórias. O Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela / CMVRSA propõe este ano novas experiências de interpretação e descodificação das paisagens culturais e naturais do sotavento algarvio. Nesta terceira edição iremos à descoberta das plantas e dos seus antigos usos na medicina e alimentação; de vestígios da presença romana em Cacela; vamos observar o céu durante a noite e conhecer as antigas mitologias ligadas aos astros; com os pés na água vamos procurar os animais da maré baixa; vamos escutar os morcegos e procurar a fauna nocturna; e terminaremos na ria formosa observando as aves.

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4 de Abril
Plantas medicinais e aromáticas do barrocal e serra algarvia
Medicinal and aromatic herbs in Barrocal and Algarve’s Serra
Com o mestre José Salgueiro
Ponto de encontro: 9.30 em Santa Rita
Existiu até há bem pouco tempo, nos meios rurais, um saber empírico, transmitido de geração para geração, sobre as propriedades medicinais das plantas. Nascido no Alentejo, Mestre Zé Salgueiro, filho de trabalhadores rurais, recebeu os saberes dos ensinamentos da mãe, de virtuosos, pastores e artífices que partilhavam o universo da medicina popular. Experimentou ao longo da vida os trabalhos do campo, a venda ambulante, o ofício de sapateiro e aos 50 anos resolveu assumir as suas paixões maiores: as plantas e a poesia. Com larga experiência na colheita e utilização de ervas para fins medicinais e um conhecimento acumulado ao longo de 90 anos intensamente vividos, tem um genuíno prazer em transmitir os seus valiosos saberes.




2 de Maio
Vestígios da presença romana em Cacela. O vísivel e o invisível
Roman traces in Cacela. The visible and the invisible
Com o arqueólogo João Pedro Bernardes
Ponto de encontro: 9.30 em Cacela Velha
“Na área em que jaz a actual Cacela devia ter assentado uma importante povoação romana, tantos são os vestígios (tanques, fustes de colunas, mármores, etc.) que nela ainda restam da vida do povo rei”, escreveu Leite de Vasconcelos no início do séc. XX. Refere-se ainda a moedas e esculturas em mármore encontradas na vizinha Quinta do Muro, onde foi recentemente identificado e escavado um forno de materiais de construção e cerâmica de cozinha atribuíveis ao séc. III. A poente da aldeia, Estácio da Veiga escavou tanques para a salga de pescado e preparação de pastas de peixe que em 1906 já se encontravam parcialmente derrubados. A nascente, na Quinta da Manta Rota, encontramos os vestígios de uma antiga villa com um complexo industrial de produção de ânforas, testemunhando uma intensa actividade produtiva e comercial na zona. Se no litoral os testemunhos da presença romana apontam para a exploração dos recursos marinhos, entre o barrocal e a serra, sistemas irrigação como a barragem romana da ribeira da Hortinha, próximo de Santa Rita, testemunham o uso dos férteis terrenos agrícolas da zona, orientado para a produção de vinho, trigo, azeite, carne, árvores de fruto e produtos hortícolas.
Ao longo deste passeio, procuraremos aproximarmo-nos deste território de Cacela, atravessado então pela estrada que ligava Baesuris a Balsa e Ossonoba, e da forma como foi explorado e modelado durante o período romano.


27 de Junho
Constelações e antigos mitos. Observando os astros em Cacela
Constellations and ancient myths. Watching the stars in Cacela
Com o físico Cândido Marciano da Silva
Ponto de encontro: 21.00 em Santa Rita
O fascínio pelos pontos luminosos a que chamamos estrelas desperta mistérios das profundezas da natureza e da imaginação. Muitos dos mitos da antiguidade que se es-pelham nas constelações celestes do distante e inacessível infinito, ajudaram a criar a crença que as actividades humanas são reguladas pelo Cosmos. Do firmamento o homem extraiu os ciclos temporais, organizou os calendários, elegeu estrelas ou constelações que orientaram travessias por terra e por mar, fez nascer deuses e heróis. Acontecimentos astronómicos relacionam-se com elementos apelativos na paisagem – naturais (montanhas) ou construídos (megálitos) – e com o calendário festivo, sendo o Natal, Páscoa e S. João marcados pelos equinócios e solstícios.
Em torno do túmulo megalítico de Santa Rita, poucos dias depois do solstício de Verão, vamos observar o pôr-do-sol, a Lua, bem como os planetas e constelações visíveis nesta altura do ano.


4 de Julho
Pelas margens da Ria Formosa, à procura dos animais da maré baixa
Looking for low tide animals in the banks of Ria Formosa
Com a bióloga Maria Dias
Ponto de encontro: 9.30 em Cacela Velha
Passeando pelas margens da Ria, os olhares mais curiosos não ficam indiferentes à diversidade de formas e cores das conchas que embelezam a linha de maré. São testemunhos de vidas passadas, de animais que outrora viveram nas areias, que ficam à vista durante a maré baixa. Mas debaixo dessas mesmas areias podemos encontrar uma variada fauna de pequenos invertebrados, escondida do apetite das aves, peixes, e até pessoas. Amêijoas, berbigões, ostras e chocos, todos nós também os conhecemos associados a deliciosos petiscos. Mas há mais: caranguejos e minhocas de várias cores e feitios, algumas tão pequenas que só com ajuda de uma lupa as conseguimos ver. Neste percurso vamos conhecer um pouco melhor a vida destes pequenos animais e o seu papel fundamental no ecossistema único da Ria Formosa.


1 de Agosto
O mundo inaudível. Escutando os morcegos à roda de Cacela
The inaudible world. Listening to the bats around Cacela
Com a bióloga Sofia Lourenço
Ponto de encontro: 21.00 em Cacela Velha
Companheiros de bruxas, símbolos de mau-olhado ou chupadores de sangue, poucos animais são tão mal vistos como os morcegos, que ao longo dos séculos têm persistentemente sido associados a mitos e superstições infundadas. A aldeia de Cacela Velha e sua envolvência possuem as condições ideais para vir conhecer um pouco melhor as espécies de morcegos existentes na zona e perceber a sua extraordinária importância no funcionamento dos ecossistemas locais. Na companhia de uma bióloga faremos um passeio nocturno, onde vamos observar e identificar morcegos fissurícolas e arborícolas com a ajuda de um detector de ultra sons.


12 de Setembro
À procura das criaturas da noite
Searching for night creatures
Com o ornitólogo Filipe Moniz
Ponto de encontro: 21.00 em Cacela Velha
O suave restolhar das folhas, um bater de asas, uma sombra que se esconde, gritos nocturnos... Quem está aí? Desde sempre o ser humano receou a noite. O medo não parece ser proveniente do escuro mas sim do que este possa esconder e a nossa imaginação fomentar. Uma hora do dia que para a maioria dos seres humanos é de recolhimento e repouso é para muitos animais o momento ideal para realizar as suas actividades diárias, evitando assim as horas mais quentes do dia ou potenciais predadores. Muitos são os animais que optam por uma vida nocturna, apresentando um apurado sentido de audição, como é o caso dos morcegos, do olfacto, e até mesmo da visão, como as corujas e as osgas. Raposas, ouriços, corujas, sapos, salamandras, aranhas e morcegos são apenas alguns dos fantásticos habitantes da noite que o convidamos a vir procurar. Venha connosco conhecer melhor alguns dos hábitos e dos segredos destas criaturas num pequeno passeio nocturno à volta de Cacela Velha.


3 de Outubro
Visitantes alados. Observando as aves da ria
Winged visitors. Watching birds in Ria Formosa
Com o ornitólogo Filipe Moniz
Ponto de encontro: 9.30 em Cacela Velha
O fenómeno da migração das aves despertou desde sempre a atenção dos naturalistas, tendo mesmo sido fonte de inspiração para grandes viajantes. Todos os anos, pelo mundo fora, biliões de aves abandonam os seus territórios de reprodução em busca de locais de alimentação e condições ambientais mais favoráveis. A maioria destes migradores viajam apenas algumas centenas de quilómetros, mas outros percorrem distâncias equivalentes à da circunferência da terra. Aves como a andorinha-do-mar-Ártica são conhecidas por fazerem a mais longa migração regular, percorrendo todos os anos cerca de 19 000 Km desde os seus territórios de reprodução no Árctico até às águas da Antártida. Em Portugal um dos locais mais importantes de invernada para as aves migradoras é a Ria Formosa albergando milhares de aves limícolas. Venha connosco conhecer alguns destes visitantes alados num passeio pela Ria junto a Cacela Velha.



Informações gerais:
Os percursos realizam-se aos sábados, entre Abril e Outubro.
Pontos de encontro às 9.30 ou às 21.00, na cisterna de Cacela Velha ou no CIIPC (antiga escola primária) em Santa Rita, consoante o percurso.
Para os passeios diurnos deverá trazer merenda, cantil com água, calçado confortável, roupa leve, chapéu e protector solar, bem como binóculos para os passeios de natureza. Para os percursos nocturnos deverá trazer roupa quente, calçado confortável e lanterna.
A organização reserva-se o direito de anular a realização de percursos caso se verifiquem condições climatéricas adversas.

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Inscrições e Informações:
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela
Antiga Escola Primária de Santa Rita
Tel. / Fax: 281 952600
ciipcacela@gmail.com

http://www.cm-vrsa.pt/
http://ciip-cacela.blogspot.com/

As participações são gratuitas e limitadas.
Inscreva-se com antecedência, deixando o seu nome e contacto





Passos Contados 2008

Passos Contados 2007

quarta-feira, abril 09, 2008

Passos Contados 2008 - Passeios Pedestres de Interpretação da Paisagem, em Vila Real de Santo António, de Abril a Outubro de 2008


Passos Contados 2008

Passeios pedestres de interpretação da paisagem

Cacela - Vila Real de Santo António


Organização:
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela
Câmara Municipal de Vila Real de Santo António


Começa em Abril em Cacela a 2ª edição do ciclo anual de passeios pedestres de interpretação da paisagem "Passos Contados".
Passos Contados... porque os caminhos, os lugares, as vidas contam estórias. O Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela / CMVRSA propõe este ano novas experiências de interpretação e descodificação das paisagens culturais do sotavento algarvio. Nesta segunda edição iremos à descoberta de plantas medicinais e aromáticas, da fauna e flora da Ria Formosa; atravessaremos quintas, hortas e pomares no barrocal; conheceremos saberes-fazeres da serra, testemunhos megalíticos em Cacela, e memórias da pesca e indústria conserveira em Vila Real de Santo António.



12 de Abril
Plantas medicinais e aromáticas
Ponto Encontro: 14h30 na cisterna de Cacela Velha,
Com o Mestre José Salgueiro
Existiu até há bem pouco tempo, nos meios rurais, um saber empírico, transmitido de geração para geração, sobre as propriedades medicinais das plantas. Nascido no Alentejo, Mestre Zé Salgueiro, filho de trabalhadores rurais, recebeu os saberes dos ensinamentos da mãe, de virtuosos, pastores e artífices que partilhavam o universo da medicina popular. Experimentou ao longo da vida os trabalhos do campo, a venda ambulante, o ofício de sapateiro e aos 50 anos resolveu assumir as suas paixões maiores: as plantas e a poesia. Com larga experiência na colheita e utilização de ervas para fins medicinais e um conhecimento acumulado ao longo de 89 anos intensamente vividos, tem um genuíno prazer em transmitir os seus valiosos saberes.


17 de Maio
Fauna e flora na Ria Formosa
Ponto Encontro: 9h30 na cisterna de Cacela Velha
Com o biólogo Filipe Moniz
A Ria Formosa é um valioso ecossistema lagunar de importância internacional, onde vivem gentes, se mantêm artes de pesca e apanha de bivalves. Um cordão de ilhas e penínsulas arenosas paralelas à costa protege um labirinto de sapais, canais e bancos de areia, onde se abrigam no Inverno aves migradoras do norte e centro da Europa (pato-trombeteiro, marrequinho-comum, maçarico-real, flamingo,...) e alimentam peixes, moluscos, crustáceos e anfíbios. Entre as dunas e matas, especialmente entre os piornos, escondem-se os camaleões da Ria Formosa que urge proteger.
Na companhia de um biólogo iremos observar a flora, conhecer habitats, olhar os voos das aves, escutar os anfíbios e interpretar dejectos, pegadas e trilhos.


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21 de Junho
Quintas, pomares e hortas do Barrocal
Ponto Encontro: 9h30 no CIIPC (antiga escola primária) em Santa Rita
Com as arquitectas Marta Santos e Marta Almeida
Ao Barrocal Algarvio correspondeu um povoamento diferenciado nas formas de habitar em relação à serra e ao litoral. Caracterizado pela dispersão dos núcleos familiares, a organização dos conjuntos edificados e a estrutura da propriedade foi favorecida pela exploração agrícola. Largas, planas e regulares, em encostas perto de ribeiras, as propriedades com paisagem arborizada e solos férteis beneficiaram o sequeiro e o regadio associado aos engenhos hidráulicos – noras, aquedutos, tanques, levadas – que garantiram a manutenção de hortas e pomares. A organização dos conjuntos edificados, os modelos arquitectónicos e sistemas construtivos testemunham vivências e costumes, que descobriremos num percurso pelas quintas, pomares e hortas do Barrocal.


5 de Julho
Saberes-fazeres da Serra Algarvia. Elementos vegetais e usos quotidianos
Ponto Encontro: 9h30 no CIIPC (antiga escola primária) em Santa Rita
Com as arquitectas Marta Santos, Marta Almeida e habitantes da Serra
Os materiais obtidos a partir de elementos vegetais ligam-se à utilização quotidiana dos recursos do território e às suas características geológicas, morfológicas e edafoclimáticas. A partir daí, o mestre construtor vai aguçando o engenho, tirando partido das técnicas que conhece. Das árvores e arbustos maiores obtêm-se os troncos com que se preparam os paus e as tábuas para produção de engenhos e elementos da construção. Da ramagem dos arbustos e das canas aproveitam-se as varas com funções de revestimento, remate e fixação. Das herbáceas espontâneas usam-se os caules e a folhagem, e do centeio cultivado a palha, com que se fazem os feixes ou ramalhos para as forras das coberturas. Os elementos de atar (atilho, cordel, sisal, baraço) produzidos a partir do esparto ou das fibras vegetais da palmeira anã ou da piteira são usados em trabalhos agrícolas, na fixação e remate de coberturas e na produção de objectos do quotidiano. Na paisagem humanizada da serra, iremos redescobrir o engenho e os saberes associados aos usos dos elementos vegetais.


20 de Setembro
Entre os vivos e os mortos. Túmulos megalíticos de Cacela
Ponto Encontro: 9h30 no CIIPC (antiga escola primária) em Santa Rita
Com os arqueólogos David Calado e Nuno Inácio
Foi o arqueólogo Estácio da Veiga que, nos finais do séc. XIX, revelou as primeiras notícias sobre o património megalítico de Cacela, com a publicação dos achados dos túmulos de Nora e Marcela, classificados como Monumentos Nacionais mas hoje, infelizmente, desaparecidos.
O túmulo pré-histórico de Santa Rita, recentemente identificado, representa um dos últimos testemunhos megalíticos melhor conservados da região. Trabalhos arqueológicos recentes permitiram a caracterização da estrutura arquitectónica e uma primeira aproximação à cronologia, caracterização da paisagem e estudo da estrutura social. Quando foi construído? Quem eram e onde viviam os seus construtores e inumados? Como se relaciona o túmulo com outras estruturas funerárias próximas? Como se orienta em relação à paisagem e aos astros? Que significados lhe estão associados? São algumas das questões que orientarão a discussão ao longo deste percurso.


18 de Outubro
Pesca e indústria conserveira em Vila Real de Santo António
Ponto Encontro: 9h30 em Vila Real de Santo António (junto ao pelourinho na Praça Marquês de Pombal)
Com o historiador Hugo Cavaco
Fundada em 1774 por ordem do Marquês de Pombal, Vila Real de Santo António foi construída de raiz, sobre o areal junto à foz do Guadiana, com o intuito de controlar o comércio de fronteira e desenvolver as pescas, no contexto da reforma da indústria conserveira. No traçado e nos edifícios da “Vila Regular”, edificada em menos de dois anos, de acordo com os princípios iluministas, materializavam-se estas intenções. Na baixa-mar, alinhavam-se na fachada, de um e outro lado da Alfândega, as Sociedades de Pescarias, complexos industriais de manufactura, armazenamento e comercialização de sardinha. Em meados do séc. XIX instalaram-se as primeiras grandes fábricas de conservas (Ramirez, Parodi & Roldan, entre outras) a que se vêm associar litografias e fábricas de sal. Hoje subsistem testemunhos materiais e humanos da tradição pesqueira e conserveira (Casa da Alfandega, Capitania do Porto, Farol, antigas fábricas de conservas desactivadas e embarcações), tendo aberto recentemente na cidade um núcleo museológico sobre a indústria conserveira.




Inscrições e Informações:
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela
Antiga Escola Primária de Santa Rita
Tel. / Fax: 281 952600
ciipcacela@gmail.com

http://www.cm-vrsa.pt/
http://ciip-cacela.blogspot.com/

As participações são gratuitas e limitadas.
Inscreva-se com antecedência, deixando o seu nome e contacto






Passos Contados 2007

segunda-feira, abril 23, 2007

Passos Contados - Passeios pedestres de interpretação da paisagem, em Cacela, Vila Real de Santo António, ao longo de 2007


Passos Contados - Passeios pedestres de interpretação da paisagem.

Cacela, Vila Real de Santo António, 2007.



Passos Contados... porque os caminhos e os lugares contam estórias – a fonte da moura, o forno para cozer a cal, sinais dos romanos, árabes e outros povos – e ouvi-las passo a passo, conduzidos pela voz de guias especializados (cientistas ou detentores de saberes particulares), é o desafio destes percursos.

O ciclo anual de passeios pedestres temáticos no concelho de Vila Real de Santo António e especialmente em Cacela, é uma proposta do Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela / Câmara Municipal de Vila Real de Santo António. Nesta primeira edição (2007) vamos à descoberta dos últimos barcos de Cacela, de plantas medicinais e aromáticas no sopé da serra, de fontes, canhas e noras nas hortas do barrocal, das marcas do passado em Cacela Velha, das arquitecturas do Algarve rural e finalmente de fósseis na ribeira de Cacela.

Os percursos realizam-se aos sábados de manhã, entre Março a Setembro. Deverá trazer merenda, cantil com água, calçado confortável, roupa leve e apropriada, chapéu e protector solar.



Últimos barcos e artes da pesca em Cacela
Com Teresa Patrício, Sofia Trincão e pescadores locais
17 de Março
Ponto Encontro: 9.30 em Cacela Velha

Estão a desaparecer os últimos barcos de pesca artesanal da ria. Botes, chatas, saveirinhos ou dolis, alcatruzes, cabanas, redes e muitos pescadores faziam parte da paisagem de Cacela. No mar alto ou repousando nos areais, os barcos de madeira, baptizados com nomes expressivos (Já te apanho, Duas irmãs, Vencemos, Já vai,...) viam, ano após ano, a sua pintura renovada pelas mãos dos pescadores. Alguns contam longas viagens pela costa de Marrocos ou pelos mares da Terra Nova na pesca do bacalhau. Estão ainda vivas memórias de pescarias fartas de salmonetes, robalos, douradas, polvo, lulas, chocos...; do marisco abundante (berbigão, amêijoa, lingueirão); das antigas artes como a palangrinha, as teias de alcatruzes ou os tresmalhos.
A pesca foi sendo progressivamente substituída pela mariscagem. A partir dos anos 60 multiplicaram-se na ria viveiros de amêijoa e ostras. Os barcos têm sido condenados ao abate, um após o outro.
O percurso começa com a apresentação do documentário “Praia da Lota (1989-2000)” por Sofia Trincão, e termina com uma visita aos “Navegantes” da artista plástica Teresa Patrício.



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Plantas medicinais e aromáticas no barrocal e serra algarvia
Com o Mestre José Salgueiro
28 de Abril
Ponto Encontro: 9.30 em Santa Rita

Percurso de descoberta das plantas do barrocal e serra algarvia, guiado pelo saber de um mestre no estudo, colheita e utilização das plantas para fins medicinais. Nascido no Alentejo, filho de trabalhadores rurais, recebeu os seus saberes dos ensinamentos da mãe, de pastores e de artífices que partilhavam o universo da medicina popular. Experimentou ao longo da vida, os trabalhos do campo, a venda ambulante, o ofício de sapateiro e aos 50 anos resolve assumir as suas paixões maiores: as plantas e a poesia. Com um conhecimento acumulado ao longo de 88 anos intensamente vividos, Mestre Zé Salgueiro tem um genuíno prazer em transmitir os seus valiosos saberes.








Nos trilhos da água. À descoberta de fontes, poços, noras, cisternas, tanques e represas
Com o historiador Luís Oliveira

26 de Maio
Ponto Encontro: 9.30 em Santa Rita

Como se elevava a água dos poços e rios? Como era conduzida para a rega de hortas e pomares? Que cultos e crenças permanecem ligados às fontes e poços?
No período islâmico, extensas zonas do Algarve, antigo Garb al-Andaluz, converteram-se em campos férteis pela tecnologia hidráulica dos muçulmanos. Habituados ao deserto, sabiam tirar o máximo partido da pouca água disponível. Introduziram e difundiram sistemas de elevação (noras, azenhas), construíram aquedutos e transformaram os campos em áreas irrigadas e férteis com jardins, hortos e pomares.
Minas, canhas, poços, noras, aquedutos, tanques, cisternas e represas marcam e identificam, ainda hoje, a paisagem algarvia, em especial no barrocal.


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Cacela Velha no Garb al-Andaluz. O que os objectos desenterrados nos contam
Com a arqueóloga Cristina Garcia
16 de Junho
Ponto Encontro: 9.30 em Cacela Velha


Cacela, Qast’alla islámica, entre os sécs. X e XIII é o centro de um distrito rural bem povoado. Terras férteis, hortas e pomares ladeiam a costa de águas calmas que permite pesca e recolha de moluscos em abundância. Os vestígios arqueológicos desta época comprovam a densidade de povoamento rural, disperso pela planície até ao barrocal.
Em 1239, Cacela foi conquistada aos almóadas por D. Paio Peres Correia e doada por D. Sancho II à Ordem Militar de Santiago da Espada.
Actualmente, Cacela Velha preserva sugestivos testemunhos daquela época na arquitectura, nos achados arqueológicos e nas fontes históricas, que iremos observar e descodificar.



Patrimónios do habitar. Construções rurais, técnicas e materiais
Com a equipa do Gabinete Técnico de Apoio às Aldeias do Sotavento
7 de Julho
Ponto Encontro: 9.30 em Santa Rita


Na Serra Algarvia o povoamento organiza-se em assentamentos designados por montes ou alcarias. O casario e dependências associadas (fornos, fornalhas, pocilgas, galinheiros, eiras, poços…) testemunham uma arquitectura rural marcada pelo relevo, clima, tradições culturais e matérias primas.
Num percurso pelos montes da Serra, em processo de desertificação, procuraremos ler as arquitecturas do habitar tradicional, identificando materiais e práticas construtivas antigas – construções em alvenaria de pedra, terra (taipa e adobe), coberturas de elementos vegetais, revestimentos com cal – e descobrindo memórias e vivências...



Uma viagem no tempo observando rochas e fósseis em torno de Cacela
Com o geólogo Hélder Pereira
15 de Setembro
Ponto Encontro: 9.30 em Cacela Velha
A Jazida fossilífera de Cacela, de reconhecido valor científico e patrimonial, localiza-se na extremidade nascente do Parque Natural da Ria Formosa e está sobretudo exposta nas margens da ribeira de Cacela situada a nascente de Cacela Velha. Ali afloram rochas sedimentares do Miocénico superior, com cerca de 7-9 milhões de anos (Ma), em que ocorre uma grande diversidade de fósseis de moluscos bivalves e gastrópodes em excelente estado de conservação.
A presença de fósseis de espécies típicas de águas quentes indica que a região de Cacela há cerca de 7-9 Ma seria banhada por águas mais quentes do que as actuais, com temperaturas semelhantes às encontradas hoje nas regiões tropicais. Um percurso em torno da região de Cacela irá permitir realizar uma viagem no tempo recuando alguns milhões de anos atrás.

Contactos:
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela
Antiga Escola Primária de Santa Rita
8900-059 Vila Nova de Cacela
Vila Real de Santo António
Tel. /Fax. 281 952600
ciipcacela@gmail.com


http://www.cm-vrsa.pt/
http://ciip-cacela.blogspot.com/