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terça-feira, junho 12, 2007

"Marcha Torguiana” na serra do Gerês, no concelho de Terras do Bouro, no dia 9 de Junho, juntou cerca de uma centena de participantes


No passado dia 9 de Junho decorreu a “Marcha Torguiana na serra do Gerês, no concelho de Terras do Bouro, organizada pela respectiva Câmara Municipal.

Esta actividade está integrada no conjunto de actividades comemorativas do "Centenário do Nascimento de Miguel Torga", que decorre de Maio a Setembro de 2007, promovido pelo Município de Terras de Bouro.

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A marcha com uma distância de 12 quilómetros, decorreu desde o Campo do Gerês até Caldas do Gerês. A Câmara Municipal de Terras do Bouro disponibilizou um autocarro de Caldas do Gerês até Campo do Gerês, que partiu cerca das 9h15 com cerca de três dezenas de pessoas. O presidente da Câmara Municipal, António Afonso, que acompanhou esta viagem aproveitou para abordar a presença de Miguel Torga no Gerês. Mas também as alusões que outro escritor, Camilo Castelo Branco, faz sobre lugares de Terras do Bouro (apesar de este concelho ter ficado recentemente fora do Roteiro nacional Camiliano), como a alusão numa obra à “Freira do Zanganho”, uma freira do Porto que se apaixonou por um jovem cavaleiro castelhano, e que fugiu para o Gerês, para o Monte do Zanganho, nomeadamente os lugares do Penedo da Freira ou a Cascata do Zanganho. Referiu também outros aspectos como seria importante o PNPG recuperar o belo “Parque do ramalho”; da prevista renovação das duas pontes projectadas por Edgar Cardoso, em Vilar da Veiga e onde confluem os rios Cávado e os seus afluentes que descem dos lados do Gerês e de S. Bento da Porta Aberta; do facto de o santuário de S. Bento da Porta Aberta ser o segundo maior do país em visitas, tendo em 2006 registado cerca de 2,5 milhões de visitantes; da Capela de Santa Eufémia e a alusão à lenda das “Nove Irmãs Gémeas"*.
O Presidente também abordou, naturalmente, a presença assídua ao longo de mais de 4 décadas, sobretudo no Verão por altura das férias, de Miguel Torga no Gerês e onde escreveu muitos poemas e passagens do seu diário (onde não se coabia, por vezes, de criticar alguns dos costumes locais), de subir a locais como a Nevosa, o altar de Cabrões, ou os Cornos da Fonte Fria. Também de defender os modelos de comunitarismo de algumas aldeias do Gerês, como Vilarinho das Furnas.


No ponto de partida da marcha, no cruzeiro de Campo do Gerês, estava mais bastantes dezenas de pessoas. Junto, situa-se uma das Portas do PNPG, inaugurada há cerca de meio ano. Entre outros aspectos este edifício possui um museu muito interessante (museu da Geira) sobre o Gerês e uma loja com diversos materiais e recursos sobre o Gerês (livros, folhetos, diversos produtos regionais, etc).

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A marcha que se iniciou cerca das 9h45 pretendia percorrer uma zona que serviu de forte inspiração para as obras literárias de Miguel Torga. A cerca de centena de participantes subiram até ao lugar de Lamas onde junto a uns carvalhos, se recitou o poema de Miguel Torga “A um Carvalho” (lido por Ernesto Português). O grupo seguiu e pouco depois avistou-se ao longe a Calcedónia. Até se chegar ao “Miradouro da Boneca” ainda foram lidos ao longo do percurso mais dois poemas (um deles por Manuel Pereira).

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No Miradouro da Boneca, foi lido novo poema (por Jorge Lage) e as pessoas aproveitaram para tirar fotos da bela paisagem que se lhes deparava. Desceu-se depois pelo Trilhos do Miradouros até ao Miradouro da Fraga Negra, onde o Presidente da Câmara, António Afonso, leu uma nova passagem de Torga, referiu algumas das actividades comemorativas do “Centenário do Nascimento de Miguel Torga” em Terras de Bouro, e agradeceu a todos a presença. Aqui foram tiradas também fotos do grupo.

Por volta das 13h15 horas o grupo chegou à vila do Gerês. Os que tinham deixado o carro em Campo do Gerês tiveram dois autocarros disponíveis para os levar de novo lá. Foi também distribuído no final a cada participante uma saca com diversos materiais (folhetos de turismo, emblema do concelho, calendário, etc.)

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No dia 12 de Agosto de 2007, 100 anos depois do nascimento de Miguel Torga será descerrada, no miradouro da Pedra Bela, uma lápide com o poema “Pátria”.

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*A origem das termas do Gerês com base na célebre lenda das “Nove Irmãs Gémeas” passada no 2º D.C. Trata-se de uma lenda relativamente célebre na Península Ibérica, sobretudo no Minho.

No ano de 122 D.C., Calsia (descendente da família do imperador Juliano), a esposa de um governante romano do noroeste da Península Ibérica, Lucio Catelio Severo (ex-cónsul de Roma), deu à luz 9 irmãs gémeas. Por serem em número excessivo (crendo ser obra do Diabo ou temendo ser acusada de infidelidade), e de o marido se encontrar numa missão exterior, Calsia deu ordem a uma senhora de confiança, Sila, para as afogar num rio. Sila, cristã, desobedeceu e entregou as crianças a algumas mulheres cristãs da vizinhança que as criaram. Foram chamadas de: Quitéria (nobre guerreira), Eufémia (a das boas-novas, bom presságio), Marina ou Margarida [Rita] (geradora), Vitória, Genebra (geradora), Márcia (guerreira), Germana (irmã, fraterna), Basilisa (santa), e Liberata (liberdade), tendo sido educadas na religião cristã.

Mais tarde foram reconhecidas pelo governador romano, Lúcio Severo, como suas filhas. Este obrigou-as a renunciar ao cristianismo e casaram com oficiais romanos e outros afins. Elas recusaram-se e foram aprisionadas numa Torre. Entretanto conseguiram fugir e libertaram os restantes prisioneiros. Com mais cristãos da região refugiaram-se nas montanhas e nelas travaram uma guerrilha que se estendeu por um amplo território e durante vários anos. Contudo o poderio romano era muito forte e ao longo dos anos todas as nove irmãs foram sendo mortas. No caso de Eufémia, diz-se que durante uma fuga aos soldados que a perseguiam atirou-se de um penhasco baixo (o Penedo da Santa, em Covide) mas não se esmagou no chão pois cá em baixo um penedo abriu-se e engoliu-a, brotando instantes depois dele uma fonte, onde estão hoje as termas do Gerês.


Ver fotos agrupadas da actividade no blogue "Multiactividades Desportivas"

Ver slideshow das fotos

Mapa do Percurso

Folheto distribuído no início do percurso (pela organização)

quarta-feira, maio 16, 2007

Marcha Torguiana, dia 9 de Junho no Gerês, em Terras do Bouro

"Integrado no conjunto de actividades comemorativas do ‘Centenário do Nascimento de Miguel Torga’, que decorre de Maio a Setembro de 2007, promovido pelo Município de Terras de Bouro vai-se realizar dia 9 de Junho a ‘Marcha Torguiana’.

A marcha pretende percorrer uma zona que serviu de forte inspiração para as obras literárias de Miguel Torga. A marcha terá uma distância de 12 quilómetros, com início agendado para as 9h30, no Cruzeiro do Campo do Gerês. A iniciativa é dirigida ao a todas as pessoas.

De acordo com as suas capacidades físicas e de resistência, cada participante poderá optar por um dos três pontos de partida: Cruzeiro do Campo do Gerês (12kms- às 9h30m), ou em Lamas (8 Kms- às 10h50), ou no Miradouro Novo e Velho (4Kms – às 11h50).

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A organização, da parte do Município de Terras de Bouro disponibiliza autocarro a partir da vila do Gerês, às 9h, e o regresso para o Campo do Gerês, no fim da marcha, apenas para os primeiros 150 inscritos.

Miguel Torga escreveu muitos dos seus poemas nas serras de Terras do Bouro, no Gerês , onde durante cerca de 50 anos, passou férias. No dia 12 de Agosto de 2007, 100 anos depois do nascimento de Miguel Torga será descerrada, no miradouro da Pedra Bela, uma lápide com o poema “Pátria”. Do programa de eventos faz parte a reedição da obra “Trilhos pedestres na senda de Miguel Torga".

As inscrições para a Marcha Torguiana podem ser feitas até ao dia 27 de Maio, através dos seguintes contactos: 253352894 ou e-mail ddsc@cm-terrasdebouro.pt


Ficha de Inscrição (2ª página)

Fonte do texto e cartaz: Câmara Municipal de Terras do Bouro


Entrevista do "O Primeiro de Janeiro" a António Afonso, Presidente da Câmara de Terras do Bouro:

"Recordando Miguel Torga, cem anos depois do seu nascimento, fomos a Terras de Bouro, local onde passou largos momentos de inspiração. Era nestas terras que vinha para as termas e onde calcorreava pelos montes graníticos como forma de se inspirar para muitas das suas obras.

Figura incontornável na região, Miguel Torga é um símbolo para a população de Terras de Bouro. Para o presidente da Câmara, António Afonso, “é uma pena que não tenha recebido o prémio Nobel como reconhecimento do seu brilhante trabalho”. Porém, dada a importância da sua passagem por Terras de Bouro, considera-se que “talvez conhecesse melhor a localidade do que muitos habitantes da terra”. Segundo o presidente da edilidade, “foi uma personalidade que durante mais de 40 anos veio assiduamente à nossa terra”.

Pela altura da morte de Miguel Torga, foi editada uma obra com textos de Miguel Torga alusivos a Terras de Bouro. Além disso, e como forma de eternizar o poeta na região, “demos o nome de uma rua a Miguel Torga”. Porém, falta ainda um objectivo criado em Assembleia de Câmara após a morte do poeta e que é a colocação de uma lápide na Portela com o poema “Serra” escrito, em 1942. “Um dos primeiros escritos de Miguel Torga, concebidos, no Gerês”. De resto, esta lápide será o culminar de um projecto com uma década e que é o resultado da importância da passagem de Miguel Torga por Terras de Bouro.

Mas o grande projecto de homenagem a Miguel Torga é o conjunto de trilhos pedestres que foram criados na região. No total são nove trilhos designados de “Na senda de Miguel Torga” e, em paralelo, foi editado um livro e uma brochura de acompanhamento para quem pretenda fazer estes mesmos trilhos, percebendo a importância dos mesmos na vida e obra de Miguel Torga.

Na senda de Miguel Torga
Sendo a caminhada um desporto, representa acima de tudo uma actividade de natureza associada a factores turísticos, históricos, culturais e ambientais. Como tal, os trilhos pedestres resultam de uma vasto trabalho de uma equipa multidisciplinar que percorreram os tradicionais caminhos carreteiros, as calçadas que se estendem pelas múltiplas serras, planaltos e aldeias da região. Muitos dos traçados promoveram a promoção do património histórico, arqueológico e etnográfico do concelho, da mesma forma que permitiu a recuperação de várias vias tradicionais e, em alguns casos, já esquecidas.

Sendo estes alguns dos muitos percursos realizados por Miguel Torga, são também dos mais belos espaços naturais que contemplam uma paisagem de rara beleza, daí não ser estranha a inspiração de Miguel Torga num local de tal forma paradisíaco e inspirador a grandes obras como as que o poeta desenvolveu. Segundo o presidente da autarquia, “os trilhos tiveram bastante impacto entre os turistas”. De resto, “a região de Terras de Bouro foi das primeiras a desenvolvere um projecto com impacto”, sublinha António Afonso."

Fonte: O Primeiro de Janeiro - 18-4-007